como quem repara que vive…

«Reparávamos de repente, como quem repara que vive, que o
ar estava cheio de cantos de ave, e que, como perfumes antigos
em cetins, o marulho esfregado das folhas estava mais entranhado
em nós de que a consciência de o ouvirmos.
E assim o murmúrio das aves, o sussurro dos arvoredos e o
…fundo monótono esquecido do mar eterno punham à nossa vida
abandonada uma auréola de não a conhecermos. Dormimos ali
acordados dias, contentes de não ser nada, de não ter desejos
nem esperanças, de nos termos esquecido da cor dos amores e
do sabor dos ódios. Julgávamo-nos imortais. . .
»

(O Eu profundo e os outros Eus, Fernando Pessoa)

Porque às vezes é mesmo preciso reparar que se vive…

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