Arquivo da Categoria: na farmácia

hoje

cold

O dia começou bem… uma cliente que gostou do meu trabalho e da minha atenção foi à farmácia levar-me um presente. Diz que a ajudei muito e que gostou muito do meu gesto. Fico feliz quando acontece assim.
A minha tosse já está menos violenta e hoje até fiz uma sessão de fotografia com a D.
Obrigada D., pela tua paciência!!
E não sei bem porquê hoje lembrei-me desta praça linda, em Paris.

mais um domingo

60´s

de trabalho!
Mais uma semana que começa…
Hoje tropecei neste bocadinho de palavras:
“(…) talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros (…)”

(José Luís Peixoto)

Reflicto. Embora esteja cansada hoje… felizmente não tenho grandes razões para me queixar.
A minha foto saiu hoje, no PHProject!

quase filosófico

Atendo doentes muito parvos. Outros muito simpáticos. Outros assim assim. E outros quase filosóficos.
“Tenho tanta pena de não saber quem sou!”
Foi assim que hoje uma senhora, com doença de Alzheimer, com os olhos cheios de lágrimas, me explicou que como se sentia mal…
E são estas pequenas grandes questões que, postas assim, quase me assustam.
Eu acho que sei quem sou e quase nem dou valor a isso.

reflexos

Na nova farmácia há um quadro magnético e um cestinho com letras coloridas para os mais pequenos brincarem enquanto os grandes são atendidos. Hoje, à saída, olhei para o quadro e alguém tinha escrito ‘a vida e bela’. Por cima do quadro a luz criava curiosos relfexos. Um coração e um sol.

Não pude deixar de sorrir. Não pude deixar de fotografar.

Parabéns mano J.! Chegou o dia em que tudo se tornou bem mais claro. =)

de não saber o que me espera…

…De não saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra
Recolhi sombras onde vira
Luzes de orvalho ao meio-dia…

Ouve-se aqui.
(Zeca Afonso)

Na minha nova guerra ainda recolho sombras e luzes de orvalho. Ainda não sei do que gosto e do que não gosto. Ainda me estou a adaptar… O tempo ajudará a aclarar as impressões.

1fim.

Para se começarem coisas novas é preciso por um fim nas mais antigas. Às vezes é preciso um ponto final, parágrafo.
Hoje foi o meu último dia na farmácia onde trabalhei quase 5 anos. E nesse tempo inevitavelmente se vão coleccionando coisas. Boas e más.
Quero recordar as boas, aquelas de que sei que terei saudades. Os meus colegas de trabalho que sei que vão sentir a minha falta. Os doentes mais simpáticos, os mais carismáticos, aqueles de quem sabia os nomes e as doenças e as manias, as vidas e os desabafos contados. Aqueles de quem me vou lembrar várias vezes. Trabalhava numa pequena vila. Os senhores sentavam-se no jardim e levantavam o chapéu para me cumprimentar. Eh Doutora, boa tarde! O Sr. Júlio que ia todos os dias entregar o jornal de manhã. O Sr. João que queria só indicamentos dos mais caros. A D. Piedade sempre a pedir desculpa por estar a incomodar. A D.Alzira que passava o ano inteiro a falar do bolo-rei que nos ia oferecer no dia dos reis. Conheci histórias muito tristes, outras batalhas corajosamente vencidas. Conheci pessoas muito boas e outras muito más.
Acabaram as viagens de 40minutos antes das 9 e depois das 19h. Agora posso ir de bicicleta para o meu novo trabalho.
Acabaram as horas de almoço passadas na biblioteca. Vou saborear melhor a minha casa.
A rotina mudará.
Não sei bem o que me espera…
Mas sei que conhecerei outros mundos, outras lágrimas e novos sorrisos.
E eu gosto de mudar.

é bom quando…

… digo a alguém que o teste de gravidez deu positivo e os olhos da pessoa se enchem de sorrisos!
… o M. e eu partilhamos um gelado no sofá a ver um filme, com a Mia sossegada a dormir ao colo.
… se tiram fotografias que conseguem fazer recordar para sempre lugares bonitos, assim como esta em Cassis.

le bateau

sim ou não?

ansiedade
s. f.
1. Comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não.
2. Sofrimento de quem espera o que é certo vir; impaciência.

Estou cansada de pensar no mesmo e não chegar a conclusão nenhuma!
Por hoje chega…

cowboy

[Andorra,?]

Hoje recordei este episódio.
Perguntei eu a um simpático cliente-miniatura:
-Então conta-me lá… o que queres ser quando fores grande?
-Quero ser cowboy.
-Cowboy?
-Sim, até já tenho um cavalinho pequenino no meu quintal e um chapéu com uma estrela…

E assim quase consigo acreditar que não há sonhos impossíveis!

instantes que fazem sorrir por dentro

A dona Piedade nunca virá a ler este blog.
Tem uns belos 75 anos e nunca andou na escola.
Sabe escrever o nome mas ‘poucochinho, só pelo tacto’.
Um dia desta semana veio à farmácia só para me entregar ‘uma lembrançazinha’.
Segundo ela, para agradecer a minha simpatia e tudo o que faço por ela…
Acho que o que faço por ela é escutar as suas dúvidas e ensinar-lhe aquilo que posso. Nem mais nem menos que aquilo que faço com todos os doentes.
O singelo presente vinha receado de carinho e de gratidão pura.
E são instantes destes que me fazem sorrir por dentro!


[Benavente, 30janeiro2010] | [Almeirim, 28janeiro2010]

Já há papoilas ao pé da minha casa. Beleza efémera…
Galo, galinha ou pintainho?

olha…


[Almeirim, 7janeiro2010]

Enquanto explicava à doente para que serviam e como deveria usar os medicamentos prescritos, vejo dois olhos espreitarem à altura do balcão, seguindo com atenção todos os meus gestos.
E eis que sinto alguém puxar-me a ponta da bata, de mansinho.
Olho para baixo e ouço num tom baixinho, como quem pede atenção:
- Olha… eu também tenho caracóis. Só que os meus são castanhos e os teus são pretos.
Gargalhada. Sorriso terno. Sim, de facto…
E digo então:
- Sim, é verdade. Mas sabes, quando eu era pequenina como tu, os meus caracóis também eram castanhos.
Silêncio seguido de indignação da Beatriz, na altivez dos seus 3 longos anos…
- Mas eu já não sou pequenina!
Gargalha. Sorriso terno.


[Almeirim, 12novembro2009]